Palácio Dolmabahçe em Istambul: o que ver no Selamlık, Harém e Museu da Pintura

Dolmabahçe e o Bósforo
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Visitar esse palácio em Istambul era a grande expectativa na minha quinta vez nesta cidade turca. Ainda em casa, pensei: no dia de visitar o palácio, vamos chegar cedo para poder ver tudo o que ele oferece, sem pressa, sem precisar correr de uma sala para outra, sem deixar nada para trás. E assim fizemos. Depois do nosso café da manhã, lá fomos nós, cortando as ruas de Istambul até chegar ao palácio mais lindo da cidade.

O Dolmabahçe é uma grande surpresa, a começar pelo prédio, cuja arquitetura se destaca, especialmente, em contraste com as águas do Bósforo. Em seguida, o rico interior que consiste em verdadeiros cenários, coisa que a gente só vê, mesmo, em filme. Neste post, vamos compartilhar com você o que vimos no Dolmabahçe. Prepare-se para se apaixonar.

Dolmabahçe
Essa fachada maravilhosa promete a felicidade

O Dolmabahçe

Cercado por jardins bem cuidados e localizado cinematograficamente às margens do Bósforo, o palácio parece ter sido construído sem modéstia. O capricho começa nos portões; altíssimos e artisticamente trabalhados. Em seguida, os jardins. E quando atravessamos a porta do prédio propriamente dito, o que vemos são lustres monumentais de cristal Baccarat, escadarias hollywoodianas, tapetes de Hereke, tetos ornamentados e porcelanas francesas que transformam a visita numa sucessão de pequenos espantos.

Residência dos últimos sultões

Mas o Dolmabahçe não se resume ao luxo. Ele também é o repositório de uma parte da história turca, mais precisamente dos últimos anos do Império Otomano, a formação da República da Turquia e os derradeiros momentos de Mustafa Kemal Atatürk.

Durante quase quatro séculos, o coração do poder otomano esteve no Palácio de Topkapı. Mas, em meados do século XIX, o sultão Abdülmecid I queria uma residência que representasse uma nova fase do Império, mais próxima dos padrões das grandes cortes europeias. Foi assim que nasceu o Palácio Dolmabahçe, concluído em 1856 e transformado na nova residência oficial dos sultões.

Abdülmecid I foi o primeiro sultão a morar no Dolmabahçe. Depois dele, Abdülaziz, Murad V, Abdülhamid II, Mehmed V Reşad e Mehmed VI Vahdeddin. Há, porém, uma particularidade: Abdülhamid II preferiu transferir a corte para o Palácio Yıldız, onde permaneceu durante a maior parte de seu longo reinado. Mais tarde, Dolmabahçe voltou a ocupar um papel central na vida da dinastia.

Jardins do Dolmabahçe
Os jardins ocupam 40 mil m² e possuem magnólias, cedros, sequoias, ciprestes e pinheiros.
Os seis sultões otomanos que viveram no Dolmabahçe
Os seis sultões otomanos que viveram no Dolmabahçe

Onde fica o Palácio Dolmabahçe

O Palácio Dolmabahçe fica em Beşiktaş, na margem europeia de Istambul, voltado para o Bósforo. A localização não poderia ser mais bonita. Ali, onde hoje está o palácio era uma baía utilizada como porto natural desde a antiguidade. A partir do século XVII, a baía foi sendo aterrada e transformada num jardim imperial. Nesse processo, surgiu o nome Dolmabahçe que, em turco, significa jardim aterrado.

Dolmabahçe
A localização perfeita contribui para a beleza do palácio

A construção do Palácio Dolmabahçe

À frente da construção, estavam os arquitetos imperiais Karabet Balyan, Nikogos Balyan, Ohannes Serveryan e James William Smith, que também deixaram sua marca em vários edifícios importantes de Istambul, incorporando influências europeias à arquitetura otomana. O palácio começou a ser ocupado em 1856, quando a sede administrativa do império deixou o antigo Palácio de Topkapı e passou para o Dolmabahçe.

Os números do palácio

Pronto para se impressionar? O Dolmabahçe é considerado o maior palácio da Turquia construído como um único edifício. São 285 quartos; 44 salões; 68 toilets; 6 banhos turcos; 14.595 metros quadrados de área ocupada pelo edifício.

Os números ajudam a entender a dimensão do lugar, mas não conseguem traduzir completamente a experiência de caminhar por ele. Há sempre mais uma porta, outro salão, um novo lustre e algum detalhe no teto que nos faz olhar para cima.

A arquitetura mantém elementos das residências turcas tradicionais, como a distribuição dos cômodos ao redor de um salão central. Mas a decoração tem forte influência europeia, com características do Barroco, do Rococó e do Neoclássico.

Como o Palácio Dolmabahçe está dividido

O edifício principal possui dois pavimentos, além de um sótão e um porão. A planta separa o poder público da vida privada da família imperial. As três áreas principais são o Selamlık, onde eram tratados os assuntos administrativos e recebidos os representantes do Estado; o Salão Cerimonial, utilizado nas grandes solenidades e o harém, reservado ao sultão e à sua família. Além dessas áreas, ainda há o Museu da Pintura para ser visto, no antigo apartamento do Príncipe Herdeiro, que fica dentro do complexo.

Selamlık: o lado oficial do poder

Também chamado de Mabeyn-i Hümâyûn, o Selamlık era o local onde o sultão recebia ministros, embaixadores, representantes estrangeiros e outras personalidades importantes. Era também o lugar onde as decisões relacionadas ao governo eram discutidas.

Se o sultão precisava impressionar alguém, era no Selamlık que começava o espetáculo, com os ambientes planejados para transmitir poder, riqueza e modernidade, ajudando a construir a imagem de um império sofisticado, atento às tendências europeias e ainda capaz de demonstrar grandeza diante de seus convidados.

Selamlik
A entrada imponente do palácio

Escadaria de cristal

Este é um dos ambientes mais conhecidos e fotografados. Na Escadaria de Cristal, cristais Baccarat, latão e madeira sustentam o corrimão da escada. O cenário também é impressionante e nos fez parar por alguns instantes para observar e tirar fotos.

Escadaria de Cristal
A escadaria de cristal é cenário para as fotos dos visitantes

O Salão Cerimonial

Depois de percorrer o Selamlık, temos o enorme Salão Cerimonial. Era nesse espaço que o sultão recebia autoridades durante celebrações religiosas e grandes cerimônias de Estado. Em determinadas celebrações religiosas, o trono dourado era trazido do Palácio Topkapı. O salão impressiona pela altura, pelas dimensões e pela quantidade de detalhes. A gente fica sem saber para onde olhar ou por onde começar a olhar.

Este salão é considerado o espaço mais monumental do palácio. Fica entre o Selamlık e o Harém e tem mais de 2.000 m², 56 colunas e uma cúpula que chega a 36 metros de altura. O destaque é o imenso lustre de cristal, com 750 lâmpadas, pesando cerca de 4,5 toneladas.

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Muayede Salonu, o grande Salão Cerimonial do Palácio Dolmabahçe
Muayede Salonu, o grande Salão Cerimonial do Palácio Dolmabahçe

Harém: a vida por trás das cerimônias

A palavra “harém” costuma despertar uma série de imagens alimentadas por filmes e fantasias ocidentais. Mas na prática, o harém era a área privada da residência imperial, onde viviam o sultão, sua mãe, suas esposas, seus filhos e outros integrantes da família. Era um espaço doméstico, embora nada ali pudesse ser chamado de simples.

A visita ao harém, que fica ao lado do Dolmabahçe, apresenta ambientes mais ligados à rotina da família imperial. À medida que avançamos pelos corredores, vemos quartos, salões, banheiros e áreas de convivência que nos levam a imaginar como era a vida desses sultões e suas famílias. Uma pena que as fotos não estejam à altura da beleza dos ambientes.

apartamento do sultão no harém
O apartamento do sultão no harém
Sala vermelha
Sala vermelha do apartamento privativo do sultão.
Quarto do sultão Abdülaziz
Quarto do sultão Abdülaziz
Quarto da mãe do sultão no harém
Quarto da mãe do sultão no harém com o aquecedor branco em destaque

Mustafa Kemal Atatürk

Este homem, que dá nome a ruas, avenidas, praças, escolas, teatros e cuja imagem está estampada em vários estabelecimentos, em todos os lugares da Turquia, foi o fundador e primeiro presidente do país. Após liderar a luta pela independência, tornou-se o primeiro presidente da República da Turquia, proclamada em 1923 e conduziu reformas significativas na educação, adotou o alfabeto latino, reformou as leis e separou as instituições do Estado da autoridade religiosa. Nesse período, as mulheres também conquistaram direitos políticos, incluindo o voto. Para os turcos, Atatürk é o principal símbolo da construção da Turquia moderna.

No Palácio Dolmabahçe, em Istambul, essa história ganha uma dimensão mais próxima e humana. Depois da criação da República, Atatürk utilizou o palácio em diferentes períodos entre 1927 e 1938. Ele trabalhou no Dolmabahçe e morreu ali, em 10 de novembro de 1938. O palácio também serviu como residência presidencial durante parte do governo de İsmet İnönü e, em 1984, foi aberto ao público como museu, mantendo seus móveis e sua decoração original.

Quarto de Ataturk no Palácio Dolmabahçe, em Istambul, Turquia
Neste quarto, o fundador da República da Turquia passou seus últimos dias

Museu da Pintura dos Palácios Nacionais

Quem visita Dolmabahçe não pode ir embora sem conhecer o Museu da Pintura, que funciona no antigo Apartamento do Príncipe Herdeiro, uma construção que faz parte do complexo palaciano. Atualmente, o museu reúne 553 pinturas e desenhos produzidos entre os séculos XVI e XX, distribuídos por 34 galerias temáticas. No acervo estão as primeiras coleções de pintura de estilo ocidental na Turquia. Por lá, vamos encontrar retratos dos sultões; imagens de Istambul; paisagens e obras relacionadas a Mustafa Kemal Atatürk.

Museu da Pintura
O Museu da Pintura também se destaca na paisagem

As obras do museu

Se você gosta de arte, reserve um tempo para o Museu de Pintura dos Palácios Nacionais, porque ele também merece uma visita sem pressa. O acervo reúne centenas de obras, muitas delas pertencentes originalmente aos palácios otomanos. São retratos de sultões, cenas da vida na corte, paisagens de Istambul, batalhas e episódios históricos que ajudam a contar os últimos séculos do Império Otomano.

Museu de Pintura
Uma das muitas salas do Museu de Pintura
Príncipe Halim Caçando Gazelas no Deserto de Gatah
Um dos quadros mais importantes do Museu: Príncipe Halim Caçando Gazelas no Deserto de Gatah

Quanto tempo reservar para a visita ao Dolmahbaçe

O Dolmabahçe merece ser visitado com calma. Para conhecer o Selamlık, o Harém, os jardins e o Museu da Pintura, eu reservaria pelo menos quatro horas. Quem gosta de história, arquitetura e arte pode permanecer ainda mais tempo. Nós ficamos mais de 4 horas. São muitos salões, corredores e detalhes. Tentar ver tudo rapidamente transforma uma experiência especial numa corrida contra o relógio.

Jardins

Os jardins também fazem parte da visita. Entre árvores, gramados e canteiros muito bem cuidados, surgem alguns dos portões mais bonitos do palácio, abertos para o Bósforo. E é justamente ali que vale diminuir o passo. De um lado, o Dolmabahçe; do outro, barcos atravessando o estreito. Difícil imaginar cenário melhor.

Jardins do Palácio Dolmabahçe e o Bósforo
Os jardins e o Bósforo
O palácio e os jardins
O palácio e os jardins

Horários e ingressos do Palácio Dolmabahçe

A bilheteria abre às 9h e fecha às 17h. O palácio não abre às segundas-feiras. O ingresso que inclui Selamlık, Harém e Museu da Pintura custa 2 mil liras turcas para visitantes estrangeiros e tem validade de uma semana. O Museu da Pintura também possui ingresso individual, que custa 600 liras turcas para estrangeiros.

Vale a pena visitar o Palácio Dolmabahçe?

Vale. O palácio é deslumbrante, dificilmente você verá alguma coisa igual no mundo (na minha opinião).

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