Se você está em busca de uma viagem pela Europa que fuja do óbvio, mas ainda ofereça história rica, cidades arrebatadoras de tão lindas, boa e farta gastronomia e preços acessíveis, os Países Bálticos são a escolha perfeita. Formados pela Estônia, Letônia e Lituânia, descobrimos, em abril e maio de 2025, que esses três países à beira do Mar Báltico podem parecer pequenos no mapa mundi, mas são gigantes em belezas naturais, história, cultura e autenticidade.
Neste post, você vai descobrir tudo o que precisa para planejar uma viagem inesquecível por essa região, que considero imbatível: como chegar, o que ver, onde se hospedar, o que comer, curiosidades e até sugestões de lembrancinhas para trazer na mala – tudo baseado na nossa experiência.

O que você vai ler aqui, neste post:
ToggleOnde ficam os Países Bálticos
Localizados no nordeste da Europa, os Países Bálticos fazem fronteira com a Rússia, Bielorrússia e Polônia, e são banhados pelo Mar Báltico. Apesar de estarem próximos, geograficamente, cada um tem uma identidade cultural própria — com línguas diferentes, tradições únicas e histórias marcadas por ocupações e independências. As capitais desses países, sobre as quais eu já escrevei, são: Tallinn (Estônia), Riga (Letônia) e Vilnius (Lituânia).

Um pouco da história dos Países Bálticos
A história da Estônia, Letônia e Lituânia é cheia de reviravoltas, marcada por conquistas, ocupações e uma forte vontade de independência. Apesar de estarem lado a lado no mapa, cada um desses países tem uma trajetória única — mas todos compartilham o fato de terem sido dominados por grandes impérios ao longo dos séculos.
Durante a Idade Média, essa região foi alvo de cruzadas cristãs e passou a ser controlada por ordens militares germânicas. Castelos, muralhas e igrejas medievais que vemos hoje são herança desse período. A Lituânia, por exemplo, chegou a formar uma união poderosa com a Polônia, criando um dos maiores estados da Europa no século XVI.
Mais tarde, os três países bálticos foram incorporados ao Império Russo, e passaram boa parte dos séculos XVIII e XIX sob domínio estrangeiro. Foi só no início do século XX, após a Primeira Guerra Mundial, que conquistaram sua primeira independência — em 1918.
Mas essa liberdade durou pouco. Em 1940, durante a Segunda Guerra Mundial, os Países Bálticos foram ocupados pela União Soviética, depois invadidos pela Alemanha nazista, e novamente anexados pelos soviéticos. Só em 1991, com o fim da URSS, é que Estônia, Letônia e Lituânia voltaram a ser países independentes.
Desde então, eles têm se reinventado: investiram em educação, tecnologia, cultura e hoje fazem parte da União Europeia, da OTAN e do Espaço Schengen. São países modernos, seguros e cheios de orgulho de suas respectivas histórias — e isso se sente em cada rua, museu e conversa com os locais.
Como chegar
Não há voos diretos do Brasil para os Países Bálticos, mas é fácil chegar até lá com uma conexão em cidades como Frankfurt, Paris, Amsterdã ou Istambul, como foi o nosso caso. A passagem da Turkish Airlines tinha o melhor preço e nós aproveitamos e fizemos uma conexão na capital turca. A partir dessas capitais europeias, você pode pegar um voo direto para Tallinn, Riga ou Vilnius.
Se você já está na Europa, as opções são pegar um ônibus – empresas como Lux Express oferecem viagens confortáveis e baratas entre as capitais dos Países Bálticos; pegar um trem também é uma opção, mas isso só é possível entre algumas cidades; ou alugar um carro – esta é a forma ideal para quem quer explorar vilarejos e paisagens rurais, não ficar preso a horários e poder parar onde quiser. Nós alugamos um carro em Vilnius e percorremos os Países Bálticos com toda a liberdade, reservando os hotéis na véspera da viagem. Se você quiser saber como é dirigir nos Países Bálticos, acesse nosso post exclusivo sobre este tema, clicando aqui.

A língua nos Países Bálticos
Cada um dos 3 Países Bálticos tem uma língua própria — e elas são bem diferentes entre si. Na Estônia, se fala estoniano, uma língua que não tem nada a ver com o letão ou o lituano. Na verdade, ela está mais próxima do finlandês do que de qualquer outra língua europeia. É cheia de vogais, tem uma sonoridade suave e uma gramática bem diferente das línguas latinas.
Na Letônia, o idioma oficial é o letão, que pertence à família das línguas bálticas. Ele tem raízes indo-europeias e é mais parecido com o lituano, embora os dois não sejam mutuamente compreensíveis. O letão tem uma sonoridade mais firme e é cheio de consoantes marcantes.
Na Lituânia, se fala lituano, que também é uma língua báltica e considerada uma das mais antigas da família indo-europeia ainda em uso. É uma língua cheia de tradição, com uma estrutura gramatical complexa e vocabulário antigo.
Mas nas capitais e nas áreas turísticas, o inglês é bastante falado, especialmente pelos jovens e profissionais do setor de turismo. Nós conseguimos nos comunicar tranquilamente em hotéis, restaurantes, museus e lojas. Em áreas rurais, pode ser que o inglês não seja tão comum, mas nada que um sorriso e uma mímica não resolvam.
Moeda
Cada país tem sua própria identidade cultural e língua, mas quando o assunto é dinheiro, a unificação com o euro trouxe praticidade e integração dos Países Bálticos com o restante da União Europeia. Então, seja em Tallinn, Riga ou Vilnius, você poderá usar o mesmo dinheiro para pagar cafés, museus e lembrancinhas: o euro.
Cartões
Os cartões de crédito e débito das principais bandeiras internacionais, como Visa e Mastercard, são bem aceitos em hotéis, restaurantes, lojas e atrações turísticas nos países bálticos, especialmente, nas capitais. O pagamento por aproximação também é comum, tornando as transações rápidas e seguras. No entanto, em vilarejos menores ou estabelecimentos mais simples, pode ser que o pagamento em dinheiro ainda seja o preferido. Por isso, é sempre bom ter alguns euros na carteira para garantir.
Roteiro pelos Países Bálticos: 10 dias
Dias 1 a 3 – Tallinn, Estônia
Tallinn é uma cidade extraía de um livro de contos de fadas, bem bonito e sugestivo. A Cidade Velha de Tallinn, conhecida localmente como Vanalinn, é um dos centros históricos medievais mais bem preservados da Europa. Caminhar por suas ruas de pedras é como folhear um livro de história ao ar livre — torres góticas, muralhas centenárias e fachadas coloridas contam os séculos de influência dinamarquesa, sueca, alemã e russa que moldaram a capital da Estônia. Para conhecer mais um pouco sobre a capital da Estônia, tem um post específico sobre ela, aqui.
Se você tiver um tempinho extra, vale muito a pena esticar a viagem para além das fronteiras da Estônia. A localização privilegiada da capital permite que você conheça outros países em trajetos curtos e acessíveis — seja por ferry, ônibus ou trem. Um exemplo é a clássica e prática travessia para Helsinque, capital da Finlândia. Em cerca de 2 horas de ferry pelo Mar Báltico, você desembarca em uma cidade moderna, limpa e cheia de design escandinavo. É uma ótima opção para um bate e volta.
Outra opção interessante é São Petersburgo, na Rússia. A cidade, conhecida por sua arquitetura imperial e atmosfera artística, está a cerca de 6 a 7 horas de ônibus da capital da Estônia — com saídas frequentes operadas por empresas como Lux Express e Ecolines. Também há opções de trem, que oferecem uma viagem confortável e panorâmica, ideal para quem quer apreciar a paisagem do norte europeu.

O que ver em Tallinn
- Cidade Velha
- Igrejas
- Castelo de Toompea
- Mirantes com vista panorâmica
- Museu Kiek in de Kök
- Pirita
- Parque Kadriog
- Palácio Kadriog
- Memorial Russalka
- Pátio dos Mestres e muito mais
Onde se hospedar
Fique no centro histórico para aproveitar tudo a pé. Há opções para todos os bolsos, desde hostels charmosos até hotéis boutique. Nós ficamos no Tallinn Apartment Hotel e recomendamos.
O que comer
Tallinn oferece uma culinária rica em tradições nórdicas. Uma delas é o Mulgipuder, um prato estoniano cheio de sabor. É feito com batatas e cevada cozidas juntas. Esse purê de batatas ganha pedacinhos de carne de porco e cebolas caramelizadas, é acompanhado de creme azedo e pão de centeio.
O prato nasceu na região de Mulgimaa, no sul do país, onde os agricultores viviam de forma simples e aproveitavam ao máximo os ingredientes locais. Era um prato do dia a dia para famílias camponesas, especialmente durante os meses mais frios, por ser barato, energético e fácil de preparar. Hoje, é servido em festivais, restaurantes tradicionais e até em celebrações culturais. A tradição de preparar e comer Mulgipuder foi até indicada para a lista de Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO.
Uma opção para experimentar o Mulgipuder em Tallinn é o restaurante Kolu kõrts, localizado dentro do Museu ao Ar Livre da Estônia. Ele é conhecido por servir pratos tradicionais estonianos em um ambiente rústico, perfeito para mergulhar na cultura local.

A outra iguaria é o Leib, o pão de centeio escuro, com muitas horas de fermentação, um verdadeiro símbolo estoniano. Ele acompanha praticamente todas as refeições e tem um sabor levemente ácido, perfeito para ser servido com manteiga, queijos locais ou peixes defumados. Pela popularidade, ele pode ser encontrado em todos os restaurantes e padarias.
Leia aqui, um post exclusivo sobre Tallinn, capital da Estônia.
Dias 4 a 6 – Riga, Letônia
Estamos falando de uma cidade vibrante, cosmopolita e cheia de contrastes. Riga mistura arquitetura medieval com prédios Art Nouveau e uma cena cultural moderna. A rua Alberta iela é um desfile de fachadas ornamentadas, com detalhes que revelam o refinamento artístico do início do século XX. Para quem ama arquitetura, é um prato cheio.

O que ver
- Cidade Velha
- Distrito Art Nouveau
- Casa dos Cabeças Negras
- Mercado Central
- Igrejas
- Museus
- Torre de TV
- Monumento à Liberdade
- Biblioteca Nacional
- Ópera e Balé Nacional e muito mais.
Onde se hospedar
O centro histórico é a melhor escolha. Hotéis como o Neiburgs combinam conforto com localização estratégica. Nós ficamos no Riga Islande Hotel e recomendamos.
O que comer
Riga é um verdadeiro paraíso para quem ama descobrir sabores autênticos e receitas com raízes profundas. A gastronomia local é marcada por pratos simples e robustos, perfeitos para enfrentar o frio e mergulhar na cultura letã.
Um dos destaques são os piragi — pequenos pães recheados com bacon, douradinhos por fora e incrivelmente saborosos por dentro. Eles são uma paixão nacional e aparecem em todos os cantos: de padarias a feiras e restaurantes. Servidos como petisco, lanche ou acompanhamento, é praticamente impossível comer só um. Eles conquistam fácil.
Outro prato típico que aquece até os dias mais gelados é o grey peas with bacon. Feito com uma leguminosa da família das ervilhas e pedaços de bacon, ele é cheio de sabor. É o tipo de comida que abraça por dentro — perfeita para o inverno letão.

Onde comer em Riga
Para provar essas delícias, vá ao Folkklubs Ala Pagrabs, no coração de Riga. O restaurante fica em um porão histórico e combina comida tradicional, música folk ao vivo e uma excelente seleção de cervejas artesanais letãs. É o lugar ideal para mergulhar na cultura local com todos os sentidos.
Leia um post exclusivo sobre Riga, capital da Letônia, aqui.
Dias 7 a 9 – Vilnius, Lituânia
Vilnius é a encantadora capital da Lituânia. Um lugar que seduz com charme genuíno, onde ruas de paralelepípedos nos conduzem a igrejas barrocas, cafés acolhedores e praças bem cuidadas. A cidade é cheia de surpresas, tem um centro antigo que é um dos maiores da Europa, com igrejas barrocas, praças tranquilas e uma atmosfera boêmia.
Vilnius também é poesia urbana, da imponente Catedral de St. Stanislaus à Torre de Gediminas, que oferece uma vista de tirar o fôlego. Cada monumento conta uma história de resistência, fé e beleza. E quando o sol se põe sobre a Colina das Três Cruzes, a cidade se transforma num quadro vivo — dourado, melancólico e mágico. Em breve, um post exclusivo sobre Vilnius, neste blog.

O que ver
- Torre Gediminas
- Igrejas
- Bairro de Užupis (uma “república” artística e independente)
- Universidade de Vilnius
- Biblioteca da Universidade
- Colina das três cruzes
- Museus
- Palácio Presidencial
Onde se hospedar
Vilnius tem ótimos apartamentos e hotéis no centro. Nós ficamos no Raugyklos Apartamentai e recomendamos. O bairro de Užupis também oferece opções alternativas e criativas.
O que comer
Vilnius encanta não apenas pela atmosfera histórica de suas ruelas medievais e igrejas barrocas, mas também pelo sabor marcante da culinária lituana. Os pratos típicos são feitos com ingredientes simples, mas carregam séculos de tradição.
Um dos mais famosos é o Cepelinai — bolinhos de batata recheados com carne moída e cobertos por um molho cremoso de bacon. Com formato que lembra um dirigível, o nome faz referência aos antigos zepelins.
Já nos dias mais quentes, o destaque vai para o Šaltibarščiai, uma sopa fria de beterraba com cor rosa vibrante, bom popular naquela região. Servida com ovo cozido e batatas à parte, é leve, refrescante e muito apreciada pelos lituanos durante a primavera e o verão.

Onde comer
Para saborear essas especialidades em um ambiente tradicional e acolhedor, vá ao Etno Dvaras, localizado na Cidade Velha de Vilnius. O restaurante é conhecido por servir pratos típicos lituanos com aquele toque caseiro, em meio a uma decoração que remete às antigas casas rurais do país. E o melhor: preços bem razoáveis.
Leia um post exclusivo sobre Vilnius, aqui.
Compras nos Países Bálticos
Nós ficamos doidos com as vitrines, com vontade de comprar tudo o que víamos pela frente: joias e objetivos em âmbar; toalhas, roupas e acessórios em linho; cerâmica pintada à mão, doces típicos: chocolates estonianos, balas lituanas, itens soviéticos vintage (disponíveis em mercados de pulgas) e um artesanato super criativo. Esse produtos são encontrados nos 3 Países Bálticos.

Curiosidades que você talvez não saiba
A Estônia é uma das sociedades mais digitais do mundo — você pode até se tornar um “cidadão eletrônico”. A Letônia tem um dos maiores acervos de arquitetura Art Nouveau da Europa. A Lituânia já foi um dos maiores impérios da Europa Oriental no século XVI. Os três países bálticos têm alto índice de segurança e são muito receptivos a turistas. Apesar das línguas locais serem diferentes, o inglês é amplamente falado, especialmente nas capitais.
Quando visitar
Verão (junho a agosto): clima agradável, festivais e dias longos. Outono (setembro a outubro): paisagens douradas e menos turistas. Inverno (dezembro a fevereiro): mercados de Natal e paisagens nevadas — ideal para quem ama o frio. Nós visitamos os 3 países de meados de abril a meados de maio, pegamos 1 grau e até vimos a neve cair. Se você está planejando sua próxima aventura, considere incluir Estônia, Letônia e Lituânia no seu roteiro. Você vai se surpreender com a beleza, a cultura e a hospitalidade desses três países que, embora pouco falados pelos brasileiros, têm muito a oferecer.
Quanto custa visitar os Países Bálticos
Visitar Estônia, Letônia e Lituânia costuma ser bem mais acessível do que outros destinos europeus tradicionais como França ou Itália. Eles oferecem um excelente custo-benefício, especialmente se você gosta de explorar cultura, história e natureza sem gastar uma fortuna. A hospedagem em hostels é a partir de €15; hotéis 3 estrelas entre €40 e €80. Nossas refeições ficavam entre €10 e €20 cada um; e as atrações custam muito barato.
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Até a próxima!









Respostas de 12
Você deu excelentes dicas para quem pretenda fazer um belo Roteiro nos Países Bálticos! É uma região muito interessante, nós adoramos conhecer. Pena que não experimentamos todos esses pratos regionais, agora teremos que voltar!
Pedro, a culinária é um bom motivo para voltar por lá. A culinária dos Países Bálticos é rica e farta, para experimentar tudo é preciso dois meses inteiros, só comendo! rsrsrs
Quando comecei a ler o post pensei imediatamente na dificuldade das línguas, mas logo em seguida já veio a sua explicação haha Bem parecido com o que ocorre nos países do leste europeu, as línguas são dificílimas mas muita gente fala inglês. Que roteiro lindo vc fez, Sônia! só de olhar o mapa e ler tudo já fiquei com vontade de emendar um roteiro nos países bálticos com os países escandinavos, já que são próximos.
Sim, Cíntia, são bem próximos. Dá vontade de tirar dois meses de férias e ficar naquela região, explorando cada cantinho. Tudo lindo e civilizado!
Adorei, estou planejando ir em Maio/26 chegando por Helsinki depois descendo até Vilnius. Deixei para os bálticos 5 noites em cada país, é muito?
Se pudesse ser um pouquinho mais, seria perfeito, Heleno! Há muito o que explorar em cada capital, você vai se surpreender. Mas vai dar pra você uma boa ideia de cada uma delas. Saiba aproveitar bem o tempo. Em breve, estou postando textos sobre cada uma das capitais.
Que sonho esse roteiro pelos países bálticos! Vontade de fazer!
Adalton, nós voltamos encantados com tudo o que vimos. Além de uma paisagem linda, são países bem acessíveis, economicamente falando. Em breve, teremos posts exclusivos sobre as cidades pelas quais passamos.
Achei ótimo esse roteiro de 10 dias pelos Países Bálticos, ficou muito equilibrado entre Tallinn, Riga e Vilnius, sem parecer uma correria. As dicas de deslocamento entre as cidades e do que priorizar em cada uma ajudam demais no planejamento.
Que bom que você gostou!
Fiquei encantada com seu roteiro nos Países Bálticos! É uma região repleta de muita história e misticismo, com tantos edifícios medievais! Parece um cenário de filme!
Alexandra, muitas vezes, me senti assim, num filme!