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Descubra a Casa-Museu de Dostoievski em São Petersburgo: um guia completo

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Entrada do museu-casa de Dostoievski

A literatura russa é uma das mais importantes do mundo e está repleta de autores festejados, que caíram no gosto popular de todo o planeta. Um deles é Fiodor Mikhilovich Dostoievski, que escreveu Crime e Castigo, Os Irmãos Karamazov e Noites Brancas, entre tantos outros livros que o consagraram no mundo inteiro. E foi por ter lido alguns dos seus livros e me encantado com a sua narrativa que fiz questão de visitar a sua casa-museu, quando fomos a São Petersburgo, na Rússia. Aproveitando o aniversário de 200 anos do escritor, conto, abaixo, como foi visitar a sua última residência na capital imperial.

Dostoevsky

Dostoievski nasceu em 11 de novembro de 1821, em Moscou, mas aos 24 anos, escolheu São Petersburgo para viver. Lá, ele escreveu seu primeiro romance, Gente Pobre, publicado em 1846 e ambientou vários dos seus livros. Pontes, esquinas e escadarias da cidade são cenários para os seus personagens. Dos muitos endereços que morou, o último se tornou o museu que visitamos, inaugurado em 11 de novembro de 1971, aniversário de 150 anos do escritor.

Prédio da casa de Dostoievski, em São Petersburgo, Rússia
Os últimos anos de Dostoievski foram passados no segundo andar desse prédio. Foto: Google

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Dostoievski e a casa-museu: o que ver

Dedicamos uma tarde inteira à visita ao museu do escritor russo, cuja obra está traduzida em várias línguas. Lá, pudemos ver alguns móveis, muitas fotos da família, documentos, quadros e objetos pessoais. Por muito tempo, tudo isso ficou guardado no porão do prédio e se estragou. Para implementar o museu, o apartamento precisou ser restaurado e os ambientes, recriados. Com a ajuda da mulher do escritor, Anna Grigoryevna Dostoevskaya, amigos e contemporâneos, muitos móveis e objetos foram reproduzidos.

Escada para o prédio onde Dostoievski morava, em São Petersburgo, Rússia
A entrada para o prédio do museu fica abaixo do nível da rua, no subsolo
Papel de parede rasgado na casa de Dostoievski, em São Petersburgo, Rússia
No hall, parte do antigo papel de parede foi preservado.
Sala de visita da casa de Dostoievski, em São Petersburgo, Rússia
A sala de visita, local de muitas conversas com os amigos

Dostoievski e seu apartamento

O apartamento de Dostoievski ficava no segundo andar do prédio e tinha 6 quartos e 7 janelas. Mas para transformá-lo em museu, outro apartamento precisou ser integrado e tudo foi adaptado para receber os visitantes, além de exposições, exibição de filmes, apresentações teatrais e eventos, que acontecem, sistematicamente, todos os meses.

Assim que entramos no prédio, vemos a bilheteria. Subimos as escadas e encontramos o hall de entrada e a cozinha, além de um cômodo para os livros, onde a mulher do escritor comercializava as obras, recebia os pedidos e empacotava para despachar no correio. Em seguida, as salas, o escritório e outros cômodos. Nos quartos, fotos e brinquedos das crianças, paredes forradas de fotos da família, dos amigos e dos lugares importantes para Dostoievski e associados à sua vida.

Fotos na parede da casa em que Dostoievski morava, em São Petersburgo, Rússia
As fotos de Dostoievski e família estão espalhadas pelas paredes do apartamento
um canto da casa em que Dostoievski morava, em São Petersburgo, Rússia
Mais um cantinho na casa de Dostoievski pra gente imaginar o escritor no ambiente

Leia outros textos sobre Moscou e São Petersburgo, aqui.

Dostoievski e sua histórica escrivaninha

O escritório resguarda a escrivaninha onde ele escreveu Os Irmãos Karamazov e o relógio marcando a hora de sua morte: 8h36 do dia 8 de janeiro de 1881. Em cada cômodo, lâminas plastificadas com textos em russo, francês e inglês, fotos e ilustrações descrevem a vida e os hábitos do escritor e sua família para os visitantes.

Escrivaninha onde Dostoievski escreveu Os Irmãos Karamazov, na casa em que ele morou, em São Petersburgo, Rússia
A escrivaninha do jeito que ele deixou, inclusive a pena com a qual escrevia.
 o relógio marca a hora da morte de Dostoievski, na casa em que ele morou, em São Petersburgo, Rússia
Em outra mesinha, o relógio marca a hora da morte de Dostoievski. Foto: Pixabay
Escrivaninha num dos cômodos da casa onde Dostoievski morou, em São Petersburgo, Rússia
uma das escrivaninhas espalhadas pelo apartamento
DOSTOIEVSKI lamina
Uma das lâminas que fala dos filhos e da vida em família

Quem gosta de literatura, não pode deixar de ler sobre o Templo da Literatura, em Hanói, Vietnã.

Dostoievski multimídia

Um andar inteiro do prédio foi transformado num espaço multimídia, que reuniu documentos, fotos, livros e informações sobre a obra de Dostoievski.

Espaço Multimídia na Casa-museu de Dostoievski, em São Petersburgo, Rússia
Um grande salão de vidro preto resguarda a exposição permanente do museu.
Máscara mortuária de Dostoievski
A máscara mortuária do escritor
DOSTOIEVSKI pai e mae
Mikhail Dostoievski e Maria Dostoevskai – o pai e a mãe de Dostoievski.
DOSTOIEVSKI 25
A casa de Staraya Russa, onde a família costumava passar os verões
DOSTOIEVSKI IGREJA NOSSA SENHORA DE VLADIMIR
Igreja Nossa Senhora de Vladimir, que Dostoievski frequentava para rezar e local onde foi realizado o seu funeral.
Dostoievski igreja Nossa Senhora de Vladimir SP
Dostoievski sempre procurou morar nas imediações da igreja de Nossa Senhora de Vladimir. Foto: Google

Outros museus que visitamos na Rússia:

Gorki

Museu da História Política Russa

Hermitage

Pushkin – Museu-casa

Museu Pushkin de Belas Artes

Museu da Cosmonáutica

Galeria Tretyakov

Parceria

Dostoievski se casou 2 vezes. A segunda foi com Anna Griforievna, a taquígrafa que havia contratado para acelerar a escrita dos seus livros. Ele precisava escrever muito e rápido para vender seus livros e pagar as dívidas de jogo. Anna, que era 20 anos mais nova que ele, organizou a vida do escritor, inclusive, a financeira e, por toda a vida, dedicou-se a cuidar do marido – editando e vendendo os livros, além de cuidar das crianças e dos afazeres domésticos.

Segundo a própria Anna, o escritor costumava escrever à noite, das 23 horas às 6 da manhã, quando estava sossegado e a casa, em silencio. Companhia, mesmo, somente da xícara de chá – sua bebida preferida. Como durante o dia as crianças estavam na escola e ele dormia, o encontro de toda a família só acontecia na hora do jantar.

Para Dostoievski, a vida não fazia sentido sem os filhos. Para eles, o escritor costuma ler e assim, estimulava neles o amor pela literatura. Além da Bíblia, ele lia o grande poeta russo, Pushkin, Gogol, Dickens, entre outros da sua preferência. No museu, o quarto das crianças está preservado.

DOSTOIEVSKI 10
Os brinquedos estão presentes, fazem parte do acervo de Dostoievski.
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A silhueta dos perfis dos filhos dominam uma das paredes da sala do escritório.

Para visitar a Casa-Museu Dostoievski

Desde 30 de outubro de 2021, para visitar o museu, é necessário apresentar um comprovante de vacinação e um documento de identidade.

Endereço: Rua Kuznechny Pereulok, 5/2

Metrô: Vladimirskaya ou Dostoevskaya – são as mais próximas e ande uns 300 metros

Dias da semana e horários:

Ter, Qui, Sex, Sáb e Dom: das 11 às 18h.

Quarta: das 13 às 20h

Adultos pagam 250 rublos

Estudantes pagam 100 rublos

Visitas guiadas podem ser reservadas com antecedência.

Dica

Na saída do museu, dobramos a direita, atravessamos a rua e encontramos uma padaria, cuja produção está à mostra pra todo mundo ver. Compramos e comemos, ali mesmo, uns pãezinhos deliciosos, que recomendamos sem medo de errar.

DOSTOIEVSKI fachada padaria
Fachada da padaria que eu só consegui traduzir uma palavras: torta. Ou seja, não é uma padaria.
DOSTOIEVSKI 32
A fila para comprar um donuts.
DOSTOIEVSKI 41
A cozinha aberta para todo mundo acompanhar a produção e se embriagar com o cheiro dos pãezinhos.

São Petersburgo também é o local de descanso final do escritor. Ele está enterrado no Cemitério Tikhvinskoe no Mosteiro Alexander Nevsky, na companhia da sua segunda mulher, Anna Grigorievna Dostoievskaia, que se juntou a ele em 1918, do compositor Tchaikovsky e outras celebridades russas. No seu túmulo está escrito: “Em verdade, em verdade, vos digo que, se o grão de trigo que cai na terra não morrer, fica infecundo; mas, se morrer, produz muito fruto”- São João.

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autor(a)

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Sônia Pedrosa

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comentários

Respostas de 30

  1. As obras de Dostoievski são um clássico. Eu amo! E conhecer a Casa-Museu seria incrível! Adorei saber da casa museu e vou incluir essa atração imperdível em meu roteiro. obrigada!

  2. Adorei conhecer a casa museu, ainda que virtualmente! Vontade de ver ao vivo! Seus comentários e sua sensibilidade fazem a gente se sentir um pouco lá também. Maravilha!!

  3. Sônia vc sempre foi uma pessoa visionária, enxergava tendências e conceitos que estavam à frente de seu tempo. Muito inteligente, caricaturista, uma artista nata. Daí virou jornalista seu sonho. Fiquei encantada com a sua matéria e sensibilidade de retratar a vida de quem vc admira. Grande abraço amiga. Posso dizer que tenho orgulho da amiga tão ilustre.
    Xeiro

    1. Fátima, minha amiga querida, muito obrigada pelas palavras…nada como o olhar de uma amiga generosa! Meu coração está devidamente massageado. Mil vezes, obrigada. Um grande beijo!

  4. Sonia, quanta riqueza em história e em detalhes tem a Casa Museu. Dá para sentir a sua emoção em retratar a vida de alguém que você admira.

    1. Rosina, a vida dele foi tão sofrida…ele passou por tantas provações… os livros deles tem muito da própria experiência.
      Obrigada pelo apoio!!
      Grande abraço!

  5. Oi Sônia, confesso que não sabia nada sobre Dostoievski. Obrigada por compartilhar sua experiência na Casa-Museu e nos contar tantos detalhes. Adorei!

    1. Cíntia, Dostoievski é um dos escritores mais festejados do mundo e a literatura russa está no topo, como uma das mais importantes. Fui ao museu porque já tinha lido alguns livros deles e adorei o estilo, precisa conhecer o lugar onde ele morou, já que tive essa oportunidade.

  6. Adoro a escrita do Dostoievski, fico imaginando a emoção de poder entrar em sua casa e sentir a energia das suas inspirações. Um lugar obrigatório para os fãs de literatura.

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