Primeira vez em Paris

Por Sônia Pedrosa

Paris foi a sexta cidade mais visitada do mundo, em 2019. Capital da França e também do glamour, da gastronomia, da perfumaria, da moda, do luxo, do Impressionismo… Paris é uma cidade única e necessária na vida de um viajante. Conheça aqui, alguns dos bons motivos que fizeram 19 milhões de pessoas visitar a cidade luz em 2018.

A primeira vez

Se você está indo, pela primeira vez a Paris, é bom saber que não vai conseguir ver toda a cidade de uma vez só. Eleja o que quer ver e programe-se para voltar outras vezes, para ver o resto. A capital francesa tem em torno de 2 milhões de habitantes e é cortada pelo Rio Sena, que divide a cidade em margens esquerda e direita. Trata-se de uma referência importante na cidade. É a partir do rio que se medem as distâncias e a que numeração das ruas é determinada.

Rio Sena, em Paris
Existem 84 pontes ligando um lado a outro das margens. Todas com nome, fama e personalidade própria.

Arrondissements

É importante saber que a capital francesa é muito bem servida pelo transporte público. O metrô nos leva para, praticamente, toda a cidade, que está dividida em 20 arrondissements – divisões administrativas, em forma de espiral, que facilitam a organização a cidade. Cada um tem uma subprefeitura responsável por 4 bairros.

Arrondessiment - Paris
Quanto menor o número, mais central é o arrondissement

Puro deleite

Um dos maiores prazeres de quem vai a Paris é caminhar pela cidade. A cada esquina, um monumento, um pedaço de história, um motivo para a contemplação. Muito difícil não se deslumbrar na primeira vez, assim como na segunda, na terceira… e querer voltar mais vezes à cidade. Abaixo, uma lista do que você não pode voltar sem ver e do que você não pode deixar de fazer, na sua primeira vez na cidade.

O que você não pode deixar de ver:

1. Tour Eiffel

Em meio a tantas preciosidades, a Torre Eiffel ainda é a grande vedete da área, da cidade e do país. E está entre os monumentos mais conhecidos e visitados do mundo. Projetada pelo Engenheiro Gustave Eiffel e construída para a Exposição Universal de 1889, a torre tem 320 metros de altura, que podem ser vencidos de escada ou elevador. No início, a torre chegou a ser criticada, muitos desviavam o caminho para não ter que olhar “aquele monte de ferro fundido”, mas ela acabou por conquistar moradores e turistas.

Torre Eiffel, Paris
A Torre Eiffel foi projetada pelo Engenheiro Gustava Eiffel.
Torre Eiffel, em Paris
Em 2017, a Torre Eiffel atingiu a marca de 300 milhões de visitantes – desde a sua criação.
Rio Sena, Paris
Essa é a vista que temos quando estamos no 2º andar da Torre Eiffel que já foi a edificação mais alta do mundo

2. Museu do Louvre

Paris está coalhada de museus incríveis – Musée Rodin, Musée du Grand Palais, Centro Georges PompidouMusée Picasso, d’Orsay entre tantos outros. Mas, o mais importante, mesmo, e que você não pode deixar de visitar na sua primeira vez em Paris é o Louvre. A entrada custa 17,00 €.

Louvre, Paris
Em 2018, o Louvre recebeu mais de 10 milhões de visitantes. Esse número traduz a sua importância

São mais de 220 salas distribuídas em 3 andares, com mais de 35 mil obras de arte, 380 mil itens. Definitivamente, não dá para ver tudo num dia só. A sugestão é selecionar o que quer ver: antiguidades egípcias, antiguidades do Médio Oriente, antiguidades gregas, etruscas e romanas, esculturas, pinturas, gravuras e desenhos, artes decorativas e arte islâmica – uma das coleções mais importantes do mundo.

Antiguidades gregas, no Louvre, em Paris
As antiguidades gregas são verdadeiros tesouros, assim como as egípcias.

Na minha opinião, não se pode deixar de ver: as antiguidades egípcias e as obras mais famosas, como a Mona Lisa, Vitória de Samotrácia, Vênus de Milo, Escriba Sentado, Código de Hammurabi, além das obras de Leonardo da Vinci, Rafael e Goya.

Mona Lisa, Louvre, Paris
A jovem e nobre Mona Lisa, retratada por Leonardo da Vinci, em 1504
Vitória Alada da Samotrácia
A Vitória Alada da Samotrácia, do século 2 A.C é uma das esculturas gregas mais famosas do Louvre.
Escriba Sentado
O Escriba Sentado é do ano de 2500 AC. Inacreditável, né?
Código de Hamurabi, Louvre, Paris
Quem não se lembra do Código de Hamurabi, nas aulas de História? Foto: Wendell Almeida

 3. Arco do Triunfo

Talvez este seja o monumento mais bonito de Paris. Embora a praça onde esteja localizado se chame Charles de Gaulle, os franceses a chamam de Étoile – por causa das 12 avenidas que convergem para o monumento e formam uma estrela. Do alto do arco, dá para ver essa formação, assim como o trânsito em torno – caótico. Por isso, o acesso só é possível por um subterrâneo. Lá de cima, temos a mais bela vista da cidade.

Arco do Triunfo, em Paris
No Arco do Triunfo fica o túmulo do soldado desconhecido.
La Defense, em Paris
No final da avenida, La Defense contrasta com o resto da cidade
vista do Arco do Triunfo, Paris
Do alto do Arco do Triunfo, a vista da cidade e Sacre Coeur lá no final

4. Sacré-Coeur

O grande chamariz do bairro de Montmartre é a inconfundível basílica romano-bizantina de Sacré-Coeur, toda branca, que fica no alto da colina. Para subir, se não quiser usar as escadas, o funicular fica no final da Rue Foyatier. Uma dica é visitar Sacré-Coeur no final da tarde, para aproveitar o por do sol, curtir os artistas de rua, observar a arte que se espalha pelas calçadas e jantar num dos muitos e pitorescos restaurantes da Praça Montmartre.

Sacre Coeur, em Paris
Para chegar à igreja, você pode usar as escadas ou o funicular

5. Dome

A igreja Dome está localizada numa das áreas mais bonitas de Paris. Na mesma região, Invalides, estão a Escola Militar, o Musée Rodin, a Torre Eiffel,o Musée L’Armée e vários prédios luxuosos e embaixadas. A igreja já foi exclusividade dos reis e suas respectivas famílias. Hoje, sua principal função é abrigar os restos mortais de Napoleão e de outros militares importantes, como o Marechal Foch.

 Hôtel des Invalides e a Dome, em Paris
No fim da avenida, o Hôtel des Invalides e a Dome
Dome, Paris
A cúpula dourada foi a primeira em Paris e pode ser vista de longe.
Dome, Paris
Desde 1861, o corpo de Napoleão está na cripta da Dome e pode ser visitado do alto, através de um vidro

6. Grand Palais e Petit Palais

O Grand Palais des Beaux-Arts também é conhecido por Grand Palais des Champs-Elysées. Localizado no 8º arrondessiment, na Avenida Winston Churchill, este é um dos prédios mais bonitos da cidade, construído, especialmente, para a Exposição Universal de 1900. Junto com o Petit Palais e a Ponte Alexandre III, faz parte de um conjunto arquitetônico apreciado por todos que visitam a cidade.

Grand Palais, em Paris
Em 2000, o Grand Palais foi reconhecido, na sua totalidade, como Monumento Histórico
Petit Palais, Paris
O belíssimo portão do Petit Palais, que é o Palácio das Belas Artes da Cidade de Paris.
Ponte Alexandre III
A Ponte Alexandre III é uma homenagem ao czar russo

7. Conciergerie

Conciergerie já foi residência e sede do poder real francês, mas se tornou conhecida por ser uma prisão e local de tortura, em 1392. Durante a Revolução Francesa, este palácio medieval abrigou mais de 2 mil prisioneiros. Um deles foi Maria Antonieta, que saiu de lá para a guilhotina, assim como os juízes Danton e Robespierre. O prédio foi restaurado no século 19, mas conservou a câmara de tortura do século 11 e a torre do relógio.

Conciergerie, Paris
Da direita para a esquerda, a Torre do Relógio, a Torre de Cesar, A Torre do Dinheiro e a Torre Bonbec.

8. Centre Georges Pompidou

Este é o Museu de Arte Moderna de Paris. Além de abrigar obras de Picasso, Miró, Pollock, Matisse e tantos outros de igual importância, o próprio prédio já é uma obra de arte – às avessas. Elevadores, escadas rolantes tubulações de ar e água estão à mostra. No prédio também funcionam uma biblioteca de arte e um centro de desenho industrial. Considero visita obrigatória.

9. La Défense

Este centro empresarial no extremo da cidade foi lançado nos anos 60 para ser o endereço de grandes empresas francesas e multinacionais. Trata-se de um espaço apenas para pedestres, com 69 obras de arte espalhadas por suas ruas, além de lojas, bares e restaurantes. Em 1989, Le Grand Arche, foi construído por um arquiteto dinamarquês como parte das grandes obras promovida pelo Presidente François Mitterrand. O arco tem 11 metros e altura e é possível subir para ver a vista de 360 graus da cidade. Geralmente, esse bairro não é visitado na primeira vez, mas eu recomendo.

La Défense, Paris
Mais de 8 milhões de turistas visitam La Défense todos os anos. Foto: Pixabay
La Défense, Paris
Aberto de 9H30 às 18h30, você paga 15 euros para ver Paris de cima do Grand Arche.

O que você não pode deixar de fazer:

1. Caminhar pela cidade

Caminhar é uma bela programação em Paris, uma vez que a cidade é plana, com calçadas largas, pontuada de jardins e praças históricas, parques e ruas convidativas. Sem falar que, numa primeira vez, é bom fazer esse reconhecimento da cidade a pé. O Jardim das Tulherias é um desses lugares especiais, que ficam para sempre, na memória. Projetado pelo jardineiro real, André Le Nôtre, ele separa o Museu do Louvre da Place de la Concorde, margeia o Rio Sena, do Louvre ao Champs-Elysées e ao Arco do Triunfo.

 Jardim das Tulherias, em Paris
Projetado no século 17, o desenho do Jardim das Tulherias ainda corresponde à configuração original.

Entre as atrações naturais do Jardim de Luxemburgo, estão as laranjeiras, nogueiras e palmeiras, os gramados, o orquidário e o pomar. Mas, encontramos, também, estátuas de rainhas da França, escritores, artistas, fontes, quadras de tênis e espaço para crianças brincarem. No verão, os visitantes se juntam aos parisienses para tomarem sol, lerem ou ouvirem a música de bandas que tocam no coreto.

Jardins de Luxemburgo, em Paris
Criados em 1612, os Jardins de Luxemburgo têm a fama de mais bonitos de Paris

2. Passear de barco pelo Rio Sena

Este passeio pelo Rio Sena é bem concorrido e todo mundo faz, seja na primeira vez ou nas vezes seguintes. Do barco, vemos os monumentos e pontos turísticos de outra perspectiva. Eu sugiro fazer o passeio no final da tarde, quando o sol já está se pondo e os prédios estão iluminados. As cores do céu se somam às luzes da cidade produzindo um cenário sem igual. Para pegar o barco, existem vários ancoradouros ao longo do rio, onde você pode embarcar e desembarcar quando quiser. E se quiser tornar esse momento especial, compre o pacote que dá direito ao jantar.

Bateaux Mouches, Paris
AS margens do Rio Sena fazem parte da lista do Patrimônio Cultural da Humanidade da Unesco
De barco, em Paris
A Torre Eiffel, vista do Rio Sena, durante o passeio de barco

3. Bater perna na Champs Elysées

Champs-Elysées é uma das 12 avenidas que começam na Place Charles de Gaulle, onde fica o Arco do Triunfo. Nela, foram comemorados grandes acontecimentos mundiais, como as vitórias nas duas grandes guerras, o bicentenário da Revolução, além de ser o palco preferido para comemorar réveillons e Copas do Mundo, e assistir aos desfiles cívicos e militares. A avenida é o endereço de lojas de luxo, restaurantes, bares e cinemas. No número 104, morou o brasileiro Alberto Santos Dumont.

Champs Élysées, em Paris
A avenida mais famosa do mundo tem os 2 lados arborizados. Por isso, é também, a mais bonita.

4. Explorar o Quartier Latin

Na rive gauche, fica o Quartier Latin, uma região que engloba o 5º e parte do 6º arrondissement, onde fica a Sorbonne, sede da Universidade de Paris. Aí, também, estão  jardim botânico, o  Jardin des Plantes e o Museu Nacional de História Natural. A Place Saint Michel é o coração do bairro, palco de acontecimentos importantes, como as revoltas estudantis de maio de 1968. No Quartier Latin, você pode explorar o Musée de Cluny; o Boulevard Saint-Michel; a Rua Galande e o Panthéon, onde estão os restos mortais de Jean-Jacques Rousseau, Marie Curi, VoltaireVictor Hugo e Emile Zola.

5. Curtir Saint-Germain-des-Prés

Esse bairro também fica na margem esquerda do Sena. Trata-se de outra área interessante, com seus prédios do século XVI e sua fama de lugar frequentado pelos filósofos existencialistas, atores, músicos e escritores, entre eles, Sartre, Simone de Beauvoir, Juliette Grecco, Hemingway e cineastas da Nouvelle Vague. Ainda hoje, turistas e jovens escritores se dirigem para o Les Deux Magots ou Café de Flore na esperança de sentar nos mesmos lugares que seus ídolos ou, simplesmente, ver gente famosa.

Café de Flore, Paris
Café de Flore, antigo reduto de existencialistas e ótima opção para jantar

E, assim como é impossível ver tudo o que Paris tem a oferecer, numa só viagem, é frustrante terminar aqui sem falar sobre o Museu de Rodin, o Musée D’Orsay, as galerias de arte, as belíssimas igrejas, os sebos charmosos, o Marais, Le Halles, os cemitérios, as lindas estações de trem, os palácios espalhados pela cidade, o Café de la Paix e sua decoração do século XIX, a Ópera, os românticos boulevards, as praças, o Panthéon, Hôtel des Invalides, o Palais de Versailles, a magnífica culinária… enfim, visitar, ler, escrever, sonhar com Paris é assunto para várias encarnações. Como dizia Hemingway, Paris não tem fim. E não tem, mesmo!

Quando ir

Isso vai depender da sua preferência. Se gostar do calor, vá no verão. Mas, já lhe aviso: lá, faz calor de verdade, a temperatura chega aos 30 graus. No inverno, o frio também é pra valer. Mas, se você for como eu e preferir as estações mais amenas, vá na primavera ou no outono. É muito mais agradável. Mas, como lhe disse, é uma questão de preferência. O importante é que sua primeira vez seja inesquecível.

Quanto tempo ficar

Fique o máximo que puder. Você sempre vai ter o que ver e fazer em Paris.

Como chegar

Do Brasil, temos voos diários para a capital francesa. Air France, Gol, Latam, KLM e outras companhias aéreas saem dos aeroportos de São Paulo, do Rio, Fortaleza e chegam, geralmente, no aeroporto principal de Paris, o Charles de Gaulle. Para chegar ao centro da cidade, sugiro pegar um táxi, principalmente se você estiver acompanhado. É que o preço do ônibus especial é em torno de 28 euros e o táxi vai dar em torno de 50 a 60 euros. Fazendo as contas, o táxi oferece melhor custo-benefício.

Onde ficar

A dica é se hospedar perto de uma estação de metrô e num bairro mais central – quanto mais baixo o número do arrondissement, melhor. Estar bem localizado é fundamental para o sucesso de uma viagem.

6 comentários sobre “Primeira vez em Paris”

  1. ótimo post! Paris é uma cidade indescritível! Pena que não dá para voltar todo ano… umas 3 vezes por ano, pelo menos.
    Agora, falando em ir pela primeira vez (ou mesmo que não seja a primeira vez), eu recomendo com força dois livros: Um é o “Guia do Brasileiro Pelado em Paris”, da Marilea de Castro. Uma professora gaúcha que viajava para Paris basicamente com a grana só da passagem. Dicas de dias para entrar em diferentes museus de graça, onde comer pagando pouquíssimo, mas também coisas que não vê normalmente nos programas da cidade. E o outro é o “Traçando Paris”, do Luis Fernando Veríssimo. Não tem dicas propriamente ditas, não, mas é uma delícia de ler. Melhor que isso, só convencer a Sonia a viajar com vc… rs…

    1. Max, obrigada pela sua mensagem. Sempre me divirto muito quando leio as coisas que você escreve.
      E obrigada pelas dicas. Fiquei curiosa para ler esses livros. Vou procurar para comprar.
      Um beijo grande!!!
      sonia.

    1. Obrigada, Lea querida!!!
      Um grande beijo
      sonia.

  2. Paris, meu sonho… Mas tenho certeza que em breve será realizado… Já salvando suas maravilhodas dicas, Sônia. ❤❤❤

    1. Eu tenho certeza de que você vai realizar esse sonho, Grazi!!!!
      Obrigada e um beijo grande pra vc.
      sonia.

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