Praça Vermelha

Praça Vermelha, em Moscou

A Praça Vermelha fica no coração de Moscou e reúne várias atrações da cidade. Na verdade, grande parte das atrações está aqui, uma muito próxima da outra. Nesse post, você vai conhecer esse espaço que reúne visitantes e moscovitas e saber por que a Praça Vermelha é uma referência.

Praça Vermelha em Moscou
Um dos ângulos da Praça Vermelha

História

A Praça Vermelha foi criada em 1493, quando Ivã III mandou derrubar as casas que ficavam na frente do Kremlin, para dar espaço para essa praça. Logo, surgiu um mercado, com barraquinhas de madeira vendendo diversos produtos. Mas, vez por outra, o fogo tomava conta e destruía as barracas e até começaram a chamá-la de Praça do Fogo. Ainda assim, a praça era linda e o nome atual derivou da palavra russa, красная (krasnaya), que pode significar tanto “lindo” quanto “vermelho”. E, é bom que se diga, não tem relação com o comunismo.

A Praça Vermelha - cercada pelo Shopping GUM, a Catedral de São Basílio e o Kremlin
A Praça Vermelha – cercada pelo Shopping GUM, a Catedral de São Basílio e o Kremlin
No extremo oposto da Praça Vermelha, o Museu Histórico
No extremo oposto da Praça Vermelha, o Museu Histórico

Praça Vermelha

A Praça Vermelha tem 500 metros de comprimento e é bastante larga, já foi local de anúncios públicos e execuções. Hoje, está cercada de história: Mausoléu de Lênin, Museu Histórico, Catedral de São Basílio, GUM (o shopping mais antigo da Rússia), a Catedral de Kazan, a Porta da Ressurreição e outros prédios importantes. É, também, o local dos desfiles militares da época da União Soviética e os atuais, lugar onde se comemora o réveillon.

A Praça Vermelha, a Catedral de Kazan e o shopping GUM são o cenário para a passagem dos guardas
A Catedral de Kazan e o shopping GUM são o cenário para a passagem dos guardas

Mausoléu de Lênin

Praça Vermelha: Mausoléu de Lênin - um dos lugares mais fotografados da praça
Mausoléu de Lênin – um dos lugares mais fotografados da praça

Lênin não queria. A mulher dele, Nadedja Krúpskaya, também não. Mas, quando ele morreu, em 1924, apesar de ela ter implorado para que ele fosse enterrado como todo mundo, decidiram que o corpo do ex-líder soviético deveria ser preservado. Então, ele foi embalsamado e colocado num mausoléu temporário, na Praça Vermelha.

Praça-Vermelha-Mausoléu de Lênin - uma pirâmide em vermelho e preto
Mausoléu de Lênin – uma pirâmide em vermelho e preto

O mausoléu

Em 1929, quando viram que o embalsamento tinha dado certo, que o povo fazia uma fila enorme para vê-lo, decidiram que o corpo de Lênin deveria ficar ali por mais tempo. Daí, resolveram fazer um mausoléu mais estruturado, uma pirâmide em labradorita e granito. Em outubro de 1930, o mausoléu estava pronto para receber o corpo de Lênin, definitivamente. Hoje, fala-se que ele será transferido para outro lugar. Pelo menos é o que 60% dos russos querem: que o corpo vá para um cemitério. Para mantê-lo do jeito que está, um laboratório dedica-se à conservação do corpo de Lênin. O de Ho Chi Minh, líder vietnamita, pega uma carona e, todos os anos, passa 3 meses em Moscou para a aplicação de líquidos para a conservação. Durante a Segunda Guerra, o corpo foi transferido para a Sibéria.

a fila na entrada do mausoléu de Lênin, na Praça Vermelha
a fila na entrada do mausoléu de Lênin

Os cuidados

Para conservar o corpo de Lênin embalsamado, o governo gasta uma média de 13 milhões de rublos (mais ou menos 690 mil reais) por ano. A cada 3 anos, as roupas são trocadas. O embalsamento já dura 93 anos e, segundo o  diretor do laboratório, a tecnologia utilizada, agora, fará com que ele dure mais 100 anos. A verdade é que, aparentemente, o corpo está em ótimo estado, até parece que está vivo, de tão rosado. Mas, dizem que diversas partes do corpo foram substituídas por cera. Fotografar é proibido.

Corpo de Lênin embalsamado, no Mausoléu da Praça Vermelha
Corpo de Lênin embalsamado. Foto da Agência Tass

Para visitar

O mausoléu fica aberto à visitação de terça a quinta e de sábado a domingo, das 10 às 13 horas. A fila começa a se formar às 9. Às 10 horas, quando abrem as portas, a fila flui. Simplesmente, porque ninguém pode parar para olhar Lênin. Ele fica no meio de uma câmara, na penumbra, no seu sarcófago, sendo observado por dois guardas. A visita, na verdade, dura segundos. A gente passa por ele, dá a volta, mas não pode parar.

Na Praça Vermelha, Lenin descansa em seu mausoléu
Na Praça Vermelha, Lenin descansa em seu mausoléu

Túmulos

Antes de entrar na câmara, passamos pela necrópole da muralha do Kremlin, onde estão os túmulos de outras personalidades importantes do país:  o escritor Maksim Gorki, o cosmonauta, como os russos dizem, Iuri Gagarin; a revolucionária Rosalia Zemliatchka; a mulher e a irmã de Lênin, além de vários líderes políticos, como Stalin, Brejnev, Andropov, Chernenco…

Na Praça Vermelha, os túmulos de personalidades russas
Muitos desses personagens ainda são venerados pela população

 Divisão de classes

A necrópole está dividida em 3 classes de túmulos: individuais – para os chefes de estado – com direito a busto;

Praça Vermelha, túmulo de Stalin
Mais de 65 anos depois, Stalin ainda recebe flores
Na Praça Vermelha, os bustos de Stalin, Trotsky, Gorbachev, Gorki e de outros líderes soviéticos.
Os bustos de Stalin, Trotsky, Gorbachev, Gorki (escritor) e de outros líderes soviéticos

Túmulos para personalidades que marcaram a história da União Soviética: cientistas, artistas, políticos, escritores, militares, cosmonautas, partidários e heróis – com direito a placa, nome e datas de nascimento e morte. Num desses túmulos, está o jornalista americano, John Reed, autor de “Os dez dias que abalaram o mundo“, único não russo enterrado no Kremlin. Mas é impossível identificá-lo. Nomes e datas estão escritos com o alfabeto cirílico.

Na Praça Vermelha, os túmulos de gente importante e influente do país.
Com a morte em massa dos soldados do Exército Vermelho, tiveram a ideia de um memorial, na Praça Vermelha.

E os túmulos coletivos, para as pessoas que morreram nas guerras ou nos acidentes com perdas em massa.

Túmulo de mortos em guerra, na Praça Vermelha
Túmulo de mortos em guerra

O túmulo do soldado desconhecido

O Túmulo do Soldado Desconhecido é dedicado aos mortos da Segunda Guerra Mundial. A Guarda de Honra do Regimento do Kremlin é responsável pela manutenção da chama, sempre acesa. Eles ficam ali, em vigília, 24 horas por dia, com troca de guarda a cada hora.

Praça-Vermelha_túmulo-do-soldado-desconhecido
Estima-se que 24 milhões de russos morreram na Segunda Guerra Mundial

Museu Histórico

À esquerda do Kremlin, fica o Museu Histórico do Estado. Enorme, com torres pontiagudas, tijolos vermelhos, um verdadeiro palácio de telhados prateados.

Praça-Vermelha_museu-Histórico
Milhões de objetos compõem a coleção do Museu Estatal de História

Em 1881, Alexandre II mandou construir o museu, de forma que não destoasse do resto da praça. A ideia era abrigar, nos seus 4 mil metros quadrados, mais de 5 milhões de objetos – da pré-história aos dias de hoje. A entrada do museu custa 350 rublos (em torno de 19 reais).

Na Praça Vermelha, o Museu Histórico
Antes de ser museu, este prédio abrigou a Universidade Estatal de Moscou

Catedral de São Basílio

Numa ponta da Praça Vermelha está a Catedral de São Basílio. Ela foi encomendada por Ivã, o Terrível, em 1552, para festejar a conquista da fortaleza de Kazan, nesse ano. Em 1561, ela estava pronta. Diz a lenda que Ivã ficou tão maravilhado com o que viu que mandou cegar o arquiteto responsável pela obra, para que ele não repetisse o feito.

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A colorida Catedral de São Basílio – única no país

A Catedral de São Basílio parece um doce, a casa de Joãozinho e Maria, um castelo de areia e outras associações que as pessoas fazem de acordo com a própria imaginação. Trata-se de uma unanimidade. Por fora e por dentro, ela é linda.

Praça-Vermelha-Catedral-de-São-Basílio
Uma das muitas faces da Catedral de São Basílio

Logo na entrada, a estátua de dois heróis russos: o açougueiro Kuzma Mínin e Dmitry Pojársky, que reuniram voluntários para combater os poloneses, em 1612, e venceram.

Praça-Vermelha-heróis-russos
Homenagem a quem lutou pelo país

Para visitar

Paga-se 500 rublos (em torno de 27 reais) para entrar e apreciar as 8 capelas principais que celebram as campanhas de Ivã, o Terrível, contra a cidade de Kazan, além da Iconóstase barroca da capela central, a galeria que liga as 8 capelas e para ver Moscou lá de cima, numa altura que equivale a 5 andares.

Praça-Vermelha-Catedral-de-São-Basílio-interior
O interior rebuscado da Catedral de São Basílio
Teto ricamente decorado na Catedral de São Basílio, na Praça Vermelha
Teto ricamente decorado na Catedral de São Basílio
maquete da primeira Catedral de São Basílio, com Ivã, o Terrível, por trás
maquete da primeira Catedral de São Basílio, com Ivã, o Terrível, por trás
salas e capelas, ricamente decoradas, compõem a Catedral de São Basílio
várias salas e capelas, ricamente decoradas, compõem a Catedral de São Basílio
Praça Vermelha e Catedral de São Basílio
Corredores e passagens são cuidadosamente decorados
Praça Vermelha e a Catedral de São Basílio
Da janela dos fundos, dá para ver o Zaryadye Park.

Os degraus da catedral me chamaram a atenção por serem altos, mais ou menos, 30 centímetros de altura. Ou seja, as escadas são difíceis… mas todo o sacrifício vale a pena.

a vista que temos de Moscou, do alto da Catedral de São Basílio, nos fundos: o Zaryadeye Park

Catedral de Kazan

Essa igrejinha linda é a Catedral de Kazan, uma réplica da original que foi demolida em 1936. A anterior era de 1637 e abrigava o ícone da Virgem de Kazan, adorada por todo o país.

Praça-Vermelha-Catedra-de-Kazan
Ela fica num cantinho da Praça Vermelha, mas não consegue ficar imperceptível.

Porta da Ressurreição

Demolida em 1931, essa passagem foi reconstruída em 1995. Mas a Porta da Ressurreição data de 1680. Na entrada, está o padroeiro da cidade, São Jorge, matando o dragão. Nessa passagem tem uma igrejinha, que guarda o ícone da Virgem Mingrélia.

A Porta da Ressurreição, na Praça Vermelha
A Porta da Ressurreição também é aporta para a Praça Vermelha
Praça-Vermelha-Porta-da-Ressurreição-igreja
Os moscovitas costumam rezar nessa igreja, que é minúscula

GUM

Um dos lados da Praça Vermelha é tomado por este que é o mais antigo shopping de Moscou, o GUM – Gassudarstveny Universálny Magazin, construído em 1921, no lugar do antigo mercado, e denominado “filas do comércio de cima”, antes da revolução. O prédio, construído com grades de ferro batido e com teto de vidro, é impressionante – dia ou noite.

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Durante o dia, o GUM chama a atenção pelo tamanho
Praça Vermelha e Gum iluminado
À noite, quando o GUM se ilumina, a Praça Vermelha se transforma.

Lojas

O maior magazine da Rússia já abrigou mais de mil lojas que vendiam sedas, peles e velas. Mas, no governo de Stalin, elas foram transformadas em escritório. Hoje, as maiores e melhores grifes do mundo estão lá, misturadas a elegantes restaurantes, cafés e boutiques de caviar.

Praça-Vermelha-Shopping-Gum
No teto, 20 mil placas de vidro e milhares de bastões de metal que, nos dias de sol, fazem um efeito incrível
Praça Vermelha e Beluga, o melhor caviar russo
Um lugar para experimentar o caviar Beluga, o melhor da Rússia
Praça Vermelha e o GUM
Decoração acobreada para celebrar o outono
Praça Vermelha e shopping Gum
O teto, todo de vidro, tem um diâmetro de 14 metros.

Ainda há muito o que mostrar de Moscou e Saint Petersburg. Aguarde os próximos posts!

1 comentário sobre “Praça Vermelha, em Moscou”

  1. Maravilhoso seu texto e as fotos incríveis!

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